O fiscal da Vigilância Sanitária, André Raimundo da Costa Júnior, 41, que na madrugada de domingo (7) matou, com um tiro na cabeça, a agente de endemias Ely Felipe de Souza, 24, sua ex-amante, se entregou, na tarde desta terça-feira (9), ao primo policial civil Gilson Barros. Mesmo com prisão preventiva decretada, André impôs como condição que fosse escondido da imprensa, o que os policiais tentaram cumprir.
Após o crime, cometido no bairro da Glória, por volta de 1h30 de domingo, André fugiu e teria se escondido numa chácara de parentes, na Rodovia AC-40. O delegado Rafael Marcos Pimentel, da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), conseguiu da Justiça um mandado de prisão preventiva contra o fiscal assassino.
Apesar da exigência do homicida, a informação que havia se entregado à polícia chegou à imprensa. Para não ser filmado nem fotografado, o assassino foi levado para depor na Deam, no final da tarde desta terça-feira, pela porta dos fundos. Porém, jornalistas fizeram plantão no Instituto Médico Legal (IML), onde André Júnior foi submetido a exame de corpo delito antes de ser encaminhado ao presídio Dr. Francisco D’Oliveira Conde. No IML, os policiais civis, dentre eles o primo Gilson Barros, protegiam o assassino da imprensa, em um forte esquema de segurança, com arma em punho.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Polícia Civil, a prisão foi realizada imediatamente após ser expedido o mandado de segurança. Em seu depoimento ao delegado Rafael Pimentel, o fiscal André Júnior teria dito que ficou “chateado” por ter sido caluniado por Ely. Também alegou que o disparo não teria sido proposital.
Ainda de acordo com a Assessoria de Imprensa, na quinta-feira (4), Ely registrou, na delegacia da 3ª Regional, uma queixa contra o fiscal afirmando que ele teria lhe roubado um celular. No mesmo dia, o fiscal também teria denunciado Ely por calúnia. Uma audiência com o casal teria sido marcada para esta terça-feira, mas, na madrugada de domingo, André Júnior matou a agente de endemias. O delegado Jarlem Alexandre, da 3ª Regional, afirmou que, na denúncia, a vítima não se queixou de ameaças nem naquela regional nem na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher.
O assassinato aconteceu na Rua da Amizade, no Bairro da Glória, por volta de 1h30 de domingo. André namorava com Ely há cerca de cinco meses. Devido às crises de ciúmes do fiscal, a mulher decidiu acabar com o namoro. Mesmo sendo casado com outra mulher, André não aceitou o fim do relacionamento e passou a perseguir e ameaçar a agente de endemias.
Segundo os parentes da vítima, na terça-feira (2), Ely registrou queixa contra o fiscal da Vigilância Sanitária, em uma delegacia, afirmando que estava sendo ameaçada de morte. Na tarde de sábado (6), armado com um revólver, André teria ido até a residência da ex-amante e afirmado que iria matá-la. Ely chamou a Polícia Militar, mas os policiais não conseguiram prender o acusado.
No início da madrugada de domingo, Ely retornava de um aniversário, na companhia de um primo e uma irmã, quando foi abordada por André. Ele ordenou que ela subisse na garupa de sua moto, afirmando que a levaria para casa. Como a mulher recusou obedecer à ordem, André saiu em alta velocidade, mas retornou, parou e sacou um revólver. Ele ameaçou atirar em Ely e os dois passaram a discutir. A mulher decidiu ir embora, mas ao virar às costas, André disparou contra ela. O projétil atravessou sua cabeça, saindo na testa.
Depois do disparo, André subiu na moto e fugiu. O veículo foi deixado em sua casa, no bairro da Glória. Populares chamaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que socorreu a mulher e a encaminhou, em estado gravíssimo, ao Pronto Socorro de Rio Branco, onde faleceu por volta das 13 horas de domingo. Segundo os paramédicos que fizeram os primeiros atendimentos, a vítima tinha poucas chances de sobrevivência, já que o sofreu perda de massa encefálica.
Fonte: noticiasdahora.com